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12.07.2006 |
XAXIM PODE SER MEDICAMENTO PARA TRATAMENTO DA ASMA.

Até parece história de ficção. O filho não conformado com a morte do pai por complicações pulmonares decorrentes da asma, decidiu dedicar sua vida a encontrar a cura para a doença.

“Em função da morte dele, eu questionei minha mãe sobre porque de ela não ter tratado meu pai. Ai ela me falou q não havia medicamento para controlar essa doença”, recorda Elzo Ferreira, hoje acadêmico de Farmácia da Universidade Tuiuti. “Eu resolvi conferir o que ele falou, e vem a Curitiba fazer uma busca no mercado farmacêutico, mas me falaram que realmente não existia medicamento capaz de neutralizar essa inflação das vias respiratórias. Ai como eu sou da área de administração, resolvi escrever um projeto para desenvolver um medicamento que neutralizasse a ação dessa doença. Então fui conversar com professores, e eles acharam que eu deveria ir á procura de uma planta, ao invés de uma droga sintética, que em tempo, direito e equipamentos sofisticadíssimos”, conta.

Foi ai que Ferreira empreendeu sua busca. Proveniente na Flor da Serra do sul, sudoeste do Paraná (519 km de Curitiba), região onde o pai ganhara a vida cortando xaxim para vender a indústria de artefatos e ornamentos “naquele tempo era permitido”. Ferreira recorreu a um descendente indígena. “Ele informou que todos os índios utilizavam o xaxim para solucionar os problemas de doenças respiratórias na aldeia”. Como por ironia, Ferreira descobriu que o pai esteve o tempo todo com uma alternativa para a solução do seu problema nas mãos. “Por incrível que pareça meu pai morreu com a doença, e cortando a planta que talvez pudesse lhe dar mais longevidade, mas infelizmente isso não aconteceu”, lamenta.

Era 1997. Decidido, Ferreira buscou parcerias para pesquisar o xaxim da espécie Dicksonia Sellowiana, resultado num fototerápico possivelmente eficaz na inibição da asma. Para chegar nesse resultado, cinco instituições de pesquisa públicas e privadas do Brasil, especialmente a Universidade Federal o Paraná (UFPR), investiram na pesquisa. Segundo a professora Marilis Dallami, Miguel do curso de farmácia da UFPR, Ferreira chegou com uma proposta de estudo ao laboratório de farmacotécnica e foi encaminhado aos pesquisadores.

Como idealizador do projeto, Elzo Ferreira ainda continua em sua liderança.

Duplo desafio
A pesquisa é multidisciplinar.
Enquanto profissionais o departamento de farmácia trabalham nos teste de fármaco-quimico, o setor de Ciências Agrárias estuda as melhores formas de produzir a planta em série, já que a espécie utilizada sofre riscos de extinção. “No começo tudo isso me gerou uma certa emoção, mas depois vieram algumas decepções,  quando vimos que a planta estava ameaçada de extinção, e que não tinha nenhum protocolo de produção de mudas em escala. Então tivemos que fazer o projetos chamado ecologicamente correto, onde um braço foi desenvolver  a parte ambiental, com a produção, germinação de esporos e produção das mudas em escala para garantir a matéria-prima por meio do plantio e outro braço foi tocar a pesquisa medico-cientifica, examinando as atividades terapêuticas da planta”. Segundo o professor de Plantas Medicinais, Luiz Antônio Biasi, a Dicksonia Sellowiana é uma espécie de desenvolvimento lento. “Estamos há um ano germinando esporos que permitem o crescimento das plantas que serão levadas para o campo em março de 2006”, diz. De acordo com o professor, as mudas serão levadas da casa de vegetação para o Centro de Estações experimentais do Canguiri, pertencentes à UFPR. A intenção é transformar parte da área em um centro de produção de xaxim.

A Pesquisa
Nos estudos pré-clínicos, a inibição da inflamação alcançou 93,6% de êxito nos camundongos, enquanto 90,3% tiveram respostas satisfatórias para a dor neurogênica, que são as duas manifestações primárias e mais criticas da asma. Também constada toxicidade nem letalidade. Alem disso, a substancia se apresentou como antiinflamatório, antibiótico e analgésico eficazes. Os resultados dos testes foram apresentados em um congresso farmacêutico em dezembro de 2004 em Bruxelas, na Bélgica. “A vantagem em relação ao que já existe hoje no mercado é que o medicamento proveniente do xaxim proporciona um tratamento de curta duração com um prazo máximo de 180 dias à pessoa não sofre efeitos colaterais, as dosagens de até 600 mg, quando aplicadas nos animais não produziram nenhum efeito adverso”, explica Ferreira.

Já com a fase pré-clinica concluída, a pesquisa estendeu-se para 1.600 voluntários brasileiros, norte americanos, europeus e japoneses, que receberam as cápsulas de onde se obteve 98,5% de êxito, com aplicação de dosagem de 3mg. “A vantagem é que a substancia não gera dependência, fora o baixo custo que tem o fototerápico”, destaca. “Agora estamos em conversação com alguns hospitais para desenvolver um protocolo padrão, da forma mais completa possível”, conta. A fase de estudos clínicos, que devera estar concluída ainda este ano, terá a participação de hospitais do Brasil e exterior para realizarem os estudos clínicos.


Elzo Ferreira, acadêmico de Farmácia: Eu mesinto pequeno no meu do projeto...

Ainda não se sabe exatamente quanto tempo vai demorar, numa media de 4 ou 8 meses, mas a intenção dos pesquisadores é concluir os estudos ainda neste ano.

De acordo com dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), A asma acomete cerca de 10% da população mundial. No Brasil, estima-se que 18 milhões de pessoas tenham a doença sendo que mais da metade delas não se trata como deveria e menos de 3% dos casos são controlados. No Sistema Único de Saúde, a asma é a responsável por 350 mil internações hospitalares por ano.

Perspectivas
De acordo com Elzo Ferreira, a Dicksonia Sellowiana abre possibilidades de trabalho para mais 20anos. “Na verdade já conseguimos identificar a ação da planta em seis doenças”. Ele foi convidado pelo Ministério da Saúde (MS) para participar da mesa que descutira as “política alternativas de tratamento da humanidade”, no evento que acontecerá no mês que vem em Curitiba promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Ministério da saúde já demonstrou interesse em explorar a patente, onde produzira o medicamento no instituto de tecnologia em fármacos – far-Manguinhos para abastecimento de Sistema Único de Saúde e também para exportá-lo a outros paises. “Eu me sinto pequeno no meio do projeto, tenho me surpreendido com o sucesso”, revela.

Após os primeiros resultados da pesquisa, Ferreira viajou
para 10 paises diferentes. “Já recebi convites para trabalhar como pesquisador em outros lugares, mas eu não penso em sair do Brasil. Tem pessoas que fazem isso estudam a vida toda as custa de seu pais, e na hora em que podem dar um retorno saem e trabalham vendendo uma tecnologia que muitas vezes nasceu no Brasil, mas que o pais acaba tendo que importar, o que é um absurdo. Eu não penso em sair do Brasil.

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